PRÉVIA

Prévia de revisão — números transcritos do CTB, ainda não conferidos.

Contamultas

Lei Seca: Valor, Suspensão da CNH e Crime

Dirigir após beber é uma das infrações mais caras do CTB. O valor da multa, a suspensão da CNH, o que muda na reincidência e quando o caso passa a ser criminal.

A infração mais cara do Código de Trânsito

Entre todas as infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro, dirigir após consumir álcool está entre as mais severamente punidas — tanto financeiramente quanto em termos de consequências para o direito de dirigir. Em ambos os casos, a infração gravíssima terá multa com fator multiplicador em dez vezes, e como medida administrativa será instaurado o processo de suspensão direta do direito de dirigir, por 12 meses, independente da pontuação no prontuário do condutor. O valor final com o multiplicador aplicado está no dado citado desta página, não impresso aqui: a regra de algarismos deste site mantém quantias fora do texto corrido. Não é apenas "uma multa cara entre as gravíssimas": é, na prática, uma das mais altas previstas para uma infração de trânsito administrativa, já com o multiplicador aplicado.

Suspensão automática do direito de dirigir

Além do valor da multa, a penalidade não se limita ao aspecto financeiro. A suspensão do direito de dirigir por 12 meses é aplicada de forma praticamente automática a quem é flagrado dirigindo sob influência de álcool — não é uma consequência opcional nem depende de reincidência: ela acompanha a própria autuação gravíssima desde a primeira vez.

Recusar o bafômetro não muda o resultado

Um erro comum é achar que recusar o teste do etilômetro (popularmente chamado de bafômetro) evita a penalidade. Não é o caso. Recusar o teste do bafômetro sujeita o condutor às mesmas sanções administrativas de quem foi flagrado com o índice mínimo — ou seja, a recusa não impede a autuação gravíssima nem a suspensão da CNH; ela apenas retira a possibilidade de o próprio teste comprovar um índice menor ou nenhum. Do ponto de vista prático, para fins de multa e suspensão administrativa, recusar e testar positivo levam ao mesmo resultado.

O carro fica retido até aparecer um motorista habilitado

Outra consequência imediata, e que costuma pegar muita gente de surpresa, é a possível retenção do veículo no próprio local da abordagem. Se o condutor autuado não tiver como comprovar que está apto a seguir dirigindo — por exemplo, apresentando outra pessoa habilitada e em condições de assumir a direção —, o veículo pode ser recolhido, o que significa custos adicionais de guincho e pátio, além do transtorno de precisar buscá-lo depois.

Reincidência: quando o valor dobra

A situação piora consideravelmente para quem repete a infração. Em caso de reincidência dentro de 12 meses, a multa dobra de valor e é instaurado processo de cassação da CNH — ou seja, não se trata apenas de uma multa maior, mas do início de um processo que pode levar à perda definitiva da carteira de habilitação, um patamar bem mais grave do que a suspensão temporária aplicada na primeira autuação.

Quando deixa de ser multa e passa a ser crime

Existe ainda um limite a partir do qual a situação deixa de ser tratada apenas como infração administrativa. A concentração igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar — ou igual ou superior a 6 decigramas por litro de sangue — caracteriza o crime de trânsito do art. 306 do CTB. Mas atenção a um ponto que costuma ser omitido: o § 1º do art. 306 prevê duas formas independentes de constatar a conduta. A segunda não depende de medição alguma — são os sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, alteração da capacidade psicomotora. Ficar abaixo do índice, ou recusar-se a soprar, não afasta por si só o enquadramento criminal.

Planejar antes de sair evita todo o resto

Diante de valores e consequências dessa magnitude, a forma mais simples de evitar todo o problema é planejar o transporte antes de beber, não depois. Combinar um motorista designado que não vai consumir álcool, guardar o contato de um aplicativo de transporte por perto ou simplesmente deixar o carro em casa quando o plano da noite envolve bebida são medidas triviais perto do custo — financeiro, administrativo e, em alguns casos, criminal — de uma autuação por Lei Seca. Vale lembrar também que a fiscalização costuma ser mais intensa em datas e horários específicos (feriados, fins de semana, período noturno), o que não significa que a fiscalização em outros momentos seja menos rigorosa quando ocorre.

Uma observação sobre os índices exatos

Vale um cuidado: os equipamentos e testes usados para medir o índice de álcool (etilômetro/bafômetro ou exame de sangue) têm suas próprias margens e procedimentos técnicos, e o resultado exato de uma abordagem específica pode envolver detalhes que fogem do escopo deste artigo. Quem estiver enfrentando um processo administrativo ou criminal relacionado à Lei Seca deve buscar orientação jurídica específica para o caso, em vez de se basear apenas nos valores gerais aqui descritos.

Considerações finais

Os valores e prazos descritos aqui refletem a estrutura geral da Lei Seca dentro do Código de Trânsito Brasileiro, mas, como em qualquer questão legal, a situação concreta de cada autuação — histórico do condutor, tipo de exame realizado, eventual reincidência — pode mudar o desfecho. Este texto tem caráter informativo e não substitui a análise de um profissional habilitado diante de um caso real.

Referência e calculadoras — não é um serviço oficial de consulta de multas.